Quantidade de helicópteros cresceu 59%
por Valdemar Júnior
O mercado brasileiro de helicópteros está atraindo cada vez mais a atenção dos grandes fabricantes. Em um período de crise na Europa e nos Estados Unidos, as empresas estão se voltando para mercados emergentes. Nesse sentido, o Brasil é um dos grandes players.
De acordo com dados da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil –, em dez anos a frota de asas rotativas do país saltou de 897 unidades (2001) para 1 518 (2010). Um crescimento bastante expressivo. Há tempos São Paulo já tem a segunda maior frota desses aparelhos do mundo, atrás apenas de Nova York. Até o final do ano passado, o Estado paulistano como um todo detinha 593 helicópteros.
Atualmente, o único fabricante desses aparelhos na América Latina é a Helibras, subsidiária da francesa Eurocopter. Sediada em Itajubá, Minas Gerais, a empresa brasileira está construindo um novo hangar, onde será fabricado e revisado a partir de 2012 o helicóptero militar EC725 para as Forças Armadas e sua versão civil, o EC225. No aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, a Helibras possui uma unidade própria, onde oferece os serviços leves de manutenção.
Em 2011, a Eurocopter comemora 35 anos de operação do Esquilo no mundo, o modelo mais vendido no Brasil, e a sua subsidiária no Brasil. A Helibras, inclusive, aproveitou a última Labace – Latin American Business Aviation Conference and Exhibition – para entregar uma aeronave desse modelo para a Helimarte Táxi Aéreo, o sétimo da empresa paulista, e outra para a Umuarama Agropecuária, de Goiás. Durante o evento, Eduardo
Marson, presidente da Helibras, assinou um contrato de venda de três helicópteros da família Esquilo para a Helisul, que passará a ter 20 aeronaves desse modelo.
Em média, são fabricadas anualmente no Brasil 36 unidades do Esquilo. Além desse, os modelos mais vendidos no Brasil pela Helibras são o EC130B4, EC135 e EC145. Hoje, a empresa tem mais de 50% de participação entre os modelos a turbina que voam no país. Ao todo, a Eurocopter já comercializou quase 5 000 aeronaves Esquilo em 90 países, que operam os helicópteros em diversos segmentos, desde o executivo até o militar. A frota mundial desse helicóptero ultrapassa a marca de 22 milhões de horas voadas.
No mês passado, a italiana AgustaWestland assumiu a comercialização de seus aparelhos no Brasil, encerrando o acordo de exclusividade que tinha com o Grupo Sinergy. Em agosto, a empresa participou pela primeira vez da Labace com estande próprio, expondo um AW119 MKII Koala, um A109 Power e dois Grand New. Nos últimos seis anos, a frota de helicópteros da empresa no Brasil praticamente dobrou.
Segundo Fabrizio Romano, diretor comercial da AgustaWestland para o Brasil, 20 AW109SP Grand New foram vendidos para clientes brasileiros, sendo oito já entregues ao ritmo de um por mês. “No Brasil, vendem bem os modelos Koala, Power e AW139, este dedicado ao mercado de óleo e gás. Só neste ano, mais de 15 aeronaves foram vendidas para o mercado corporativo e cinco para o offshore”, comemora o executivo.
Entre as novidades do grupo estão os modelos AW169 e AW189. O primeiro pesará até 4,5 toneladas e está sendo projetado para competir com os EC145 e EC155 da Eurocopter. “Mais de 30 unidades do AW169 já foram vendidas em quatro meses, sendo três para clientes brasileiros. Isso mostra a importância do Brasil para a empresa”, afirma Fabrizio. O modelo será homologado em 2014. Já o AW189 poderá transportar entre 6 e 8 passageiros, será certificado em 2013 e deve ser muito utilizado no mercado offshore.
Romano conta ainda que a empresa está se esforçando para oferecer um serviço de manutenção cada vez melhor e abrangente. “Recentemente, certificamos o Helipark como centro de serviço e, em breve, serão homologadas a base de Congonhas da Líder Aviação e a Helisul, em Curitiba. Também teremos outros centros em Buenos Aires, na Argentina, Bogotá, na Colômbia, e Santiago, no Chile”, revela.
A norte-americana Bell, representada no Brasil pela TAM Aviação Executiva desde 2004, entregou este ano as primeiras unidades do modelo 429 para clientes brasileiros. “O Bell 429 já é uma realidade. Há quatro aeronaves voando no Brasil e vem mais ainda em 2011 e muitas outras no ano que vem”, diz Leonardo Fiúza, diretor comercial da TAM Aviação Executiva. Segundo ele, entre os monoturbinas, o 407 continua sendo o mais procurado da linha Bell, e o 429 lidera entre os biturbinas.
O Bell 407 teve uma nova versão lançada no início do ano, chamada 407GX, o primeiro do mundo com painel digital. Pode transportar até sete ocupantes, tem alcance de 600 km e velocidade de 230 km/h. No Brasil, é muito utilizado no mercado executivo. No entanto, também pode ser configurado para missões de busca e salvamento e offshore. O primeiro Bell 407GX chegará ao Brasil no último trimestre.
O Bell 429 é umbiturbina projetada para ser operada por apenas um piloto e tem capacidade para receber sete passageiros. Possui uma ampla cabine, consegue atingir a velocidade de 285 km/h, além de desempenhar um grande número de missões. Cada modelo custa US$ 6,3 milhões, sem os impostos.
A também norte-americana Robinson ganhou ainda mais destaque com o lançamento do modelo R66, equipado com uma turbina Rolls-Royce RR300, versão modernizada do motor RR250, e tem capacidade para cinco pessoas, uma a mais do que o R44, aeronave que deu origem ao R66. Outro diferencial é o bagageiro localizado abaixo da turbina, oferecido pelo fato de o motor ser menor do que o do R44.
Durante a Labace, os estandes dos dois revendedores brasileiros da marca, a paulistana Audi e a ribeirão-pretana Power, receberam proprietários de helicópteros da linha Robinson e futuros clientes, que aproveitaram o evento para conhecer o novo modelo. “Já temos 60 aeronaves vendidas com três meses dela operando por aqui, e o tempo de espera do R66 é de um ano e meio. Trouxemos o primeiro R66 ao Brasil em abril, saímos na frente da concorrência e, neste ano, comercializamos 20 R44 e 60 R66”, comemora Alexandre Lomonaco, diretor comercial da Power Helicópteros.
Depois de alguns anos, outra fabricante norte-americana, a Enstrom, voltou a ter um representante no país. A Aerolink, sediada em São José dos Campos, interior de São Paulo, deve fechar seu plano de negócios nos próximos meses. Os modelos comercializados no país serão o monoturbina 480B e os modelos a pistão 280F e 280FX. “Estamos trabalhando para ter nosso próprio espaço para manutenção no Brasil”, diz Carlos Aquino, diretor comercial da Aerolink. Descontados os impostos, o 480B está sendo negociado por US$ 1,06 milhão. O 280FX pode ser adquirido por US$ 470 000, sem os impostos. Segundo dados da Anac, há apenas dois helicópteros da Enstrom voando no Brasil, ambos do modelo 280FX.
“Os operadores parapúblicos estão sentindo a necessidade de helicópteros biturbina e IFR, abrindo um mercado potencial para aeronaves da classe do S-76 e do Black Hawk”, afirma Marcos de Souza Dantas, diretor-gerente da Powerpack, representante da Sikorsky no Brasil.
Os helicópteros norte-americanos estão presentes no Brasil nos mercados executivo, offshore e militar. Entre os modelos civis, os mais procurados pelos clientes brasileiros são os S-76 e S-92. Já no mercado militar, a empresa tem negociado o Black Hawk com as Forças Armadas.