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30/09/2011 11:03:00

"Temos pilotos suficientes no Brasil"

Rodrigo Duarte, presidente da Abraphe, não concorda com a importação de mão de obra estrangeira para a aviação no país

Esquilo AS 350 B2 da Helibras

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por Tiago Dupim • fotos Antonio Larghi

Nos últimos anos, a Abraphe – Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero – tem vivido um período especial. Com o boom do mercado de asas rotativas no Brasil, cresceu a responsabilidade da entidade em reforçar ainda mais as campanhas relativas a temas como segurança de voo e prevenção de acidentes.

Atualmente, são mais de 3 000 pilotos espalhados pelo Brasil. A princípio, o número pode ser considerado alto. No entanto, se pensarmos que estamos falando de uma frota com mais de 1 500 unidades, a história muda. “Hoje, não precisamos importar pilotos. Diria que há muito poucos que estão desempregados”, afirma Rodrigo Duarte, presidente da Abraphe. Atualmente, a entidade conta com aproximadamente 1 000 associados em todo o país.

No mês passado, a AVIÃO REVUE conversou com Duarte para saber um pouco mais sobre a atuação da Abraphe e também a respeito das principais reivindicações do setor. 
Uma das principais reclamações refere-se à falta de infraestrutura nos principais aeroportos brasileiros. “No Campo de Marte, por exemplo, só temos uma vaga para helicóptero no pátio geral”, lamenta o presidente.
Rodrigo Duarte é piloto há 12 anos. Atualmente, voa para um empresário paulistano, mas também tem experiência em táxi-aéreo. Ele é formado em Direito, mas escolheu respirar outros ares. “Meu escritório é o céu, dentro do cockpit de um helicóptero”, brinca. Veja como foi:

AVIÃO REVUE – Como você analista o atual momento do mercado brasileiro de asas rotativas?
DUARTE – Esse é um período muito bom, de crescimento e renovação da frota. Os operadores estão adquirindo helicópteros maiores e bem-equipados. Hoje a tecnologia está muito acessível. Se a gente comparar o valor dos equipamentos, nos últimos anos houve grande diminuição. Isso incrementa demais a segurança de voo.   
 
AVIÃO REVUE – Quais são as principais reivindicações da Abraphe junto aos órgãos competentes?
Estamos trabalhando junto com três frentes: Anac, câmara dos vereadores de São Paulo e câmara dos deputados em Brasília. Em relação à agência reguladora, pedimos maior agilidade nos processos de revalidação de licenças, check dos pilotos e na formação deles. Com os vereadores e a prefeitura paulistana, atuamos no que refere-se à regulamentação de helipontos, que desde dezembro de 2009 está muito restrita, inviabilizando a renovação das licenças. No que diz respeito à câmara dos deputados, discutimos a reforma do CBA – Código Brasileiro de Aeronáutica –, que colocou de uma forma equivocada a permissão de contratação de mão de obra estrangeira para voar no Brasil, pois existem pilotos suficientes aqui.

AVIÃO REVUE – Em relação aos pilotos e aos instrutores de voo, como está o mercado profissional?
Atualmente, são poucos os pilotos desempregados no país. Não chega a 5%. A demanda atual está sendo atendida. A questão dos instrutores de voo é uma necessidade que todas as escolas têm. É muito difícil, hoje, você segurar um instrutor de voo, pois a necessidade das empresas é muito grande e as propostas são bem tentadoras e vantajosas.

AVIÃO REVUE – Nos últimos anos, o número de acidentes com helicópteros tem crescido. O principal motivo é o crescimento da frota ou a má formação profissional?
É difícil falar que em crescimento do número de acidentes, porque não temos estatísticas concretas. As operações de helicóptero são muito díspares e envolvem diversos ambientes. Não temos parâmetro para dizer se o problema é a formação profissional. Quando ocorre algum acidente, o procedimento é esperar o relatório final e divulgar amplamente a conclusão. Recentemente, a Bombardier divulgou em um seminário que 80% dos acidentes no mundo ocorrem por falha humana. Se os acidentes que acontecem estão dentro dessa porcentagem de falha humana, temos que divulgar para os pilotos a fim de que o mesmo erro não se repita.

AVIÃO REVUE – Até que ponto os gargalos da infraestrutura aeroportuária têm interferido nas operações desses aparelhos?
Têm interferido demais. Hoje, falta espaço nos grandes aeroportos. Como exemplo, cito o Campo de Marte. Ali temos a maior operação de asas rotativas do Brasil, talvez até mesmo do mundo. No entanto, há apenas uma vaga para helicóptero no pátio geral que tem de ser reservada com três horas de antecedência. Mesmo tendo espaços livres no pátio, a Infraero não aceita que outro helicóptero pouse fora do lugar reservado para ele. Isso também acontece no aeroporto de Guarulhos. O heliporto é muito pequeno. Porém, há um projeto de um novo heliporto para lá.

AVIÃO REVUE – O sistema de controle de tráfego aéreo para helicópteros funciona corretamente?
No nosso setor, o sistema funciona muito bem. Foi criada uma área controlada em 2004 numa parceria entre a Abraphe e o SRPV – Serviço Regional de Proteção ao Voo – por causa da necessidade de separar os helicópteros dos aviões que estavam decolando ou pousando em Congonhas.  Isso funciona de uma forma muito eficaz.

AVIÃO REVUE – Por favor, explique como é essa nova campanha lançada pela Abraphe para a região do Alto da Lapa.
A região do Alto da Lapa tem uma característica muito especial: está localizada sobre um morro. Por isso, lançamos essa campanha de conscientização pedindo para que os pilotos não sobrevoem aquelelocal, pois ali os helicópteros acabam passando em uma distância muito próxima ao chão, além de gerarem um ruído intenso. Até 2006, havia uma rota que passava por lá, mas solicitamos o cancelamento. No entanto, infelizmente, até hoje alguns pilotos continuam passando por lá.

AVIÃO REVUE – Que recado você deixaria para quem deseja se tornar um piloto de helicóptero?
Essa profissão é um sacerdócio. O piloto tem que amar muito o que faz, pois ela exige muita responsabilidade. É preciso ser centrado e saber que vai estudar o resto da vida para se manter atualizado.

Karina Bernardino

Interação

Comentários

Franz White , em 14/11/2011 - 10:32

Ao contrário do dito na matéria, emprego para piloto de helicóptero não é tão fácil assim. A maioria dos helicópteros não precisa de co-piloto, então o assento destinado ao profissional é ocupado geralmente por mais um passageiro. Então o piloto recé...

Jurandir , em 31/10/2011 - 00:42

O Brasil de hoje tem uma responsabilidade, economica e política grande, assim como o seu status na comunidade internacional, gerando dessa forma varias frentes de oportunidades e cuja necessidades aumentam a cada dia. Estou surpreso, de certa forma,...